Netflix o misterplay

A Netflix tem causado muita dor de cabeça para a indústria televisiva ao redor do mundo, mas nos EUA a tomada do serviço de streaming foi contabilizada – 50% da audiência da TV americana caiu devido ao canal.

Segundo uma pesquisa feita pela empresa MoffetNathanson e divulgada pela Variety, a audiência da TV americana caiu 3% em 2015 e metade disso foi culpa da Netflix. Foram 29 bilhões de horas de vídeo consumidas pelo público através do serviço de streaming, o que representa 6% de toda a audiência – que engloba o público que assiste ao programa durante a sua exibição e aqueles que gravam em seus DVRs e assistem em até sete dias.

A questão é que a tomada da Netflix não deve parar por aí: estimativas apontam que até 2020 a audiência do canal aumentará ainda mais, atingindo 14% de crescimento ao longo de apenas quatro anos. A empresa, que ameaça mercados televisivos mundiais (incluindo o Brasil), começou a amedrontar a indústria americana somente agora.

O curioso é que as emissoras que mais sofreram com a escalada da Netflix nos EUA foram as abertas. Numa pesquisa feita com assinantes e não assinantes do serviço de streaming, a CBS caiu 42%, a Fox 35%, a ABC 32% e a NBC 27% nas casas que tem famílias assinantes da Netflix – enquanto canais da Disney subiram 11% no mesmo grupo de teste audiência.

Ao final de 2015, a Netflix já estava presente em 74,76 milhões de casas mundialmente – número que só deve crescer com o passar do tempo. Mas o grande problema que a empresa enfrenta até hoje é a falta de diversidade em seu público, que conta principalmente com espectadores mais jovens. O público sênior, de 65 ou mais, somam somente 23% dos assinantes, enquanto que pessoas de 35 a 44 anos chega a 60%.

A Netflix está definitivamente mudando a forma do mercado pensar em termos de produção de conteúdo original, disponibilização mundial e variedade de produtos. Algo terá de ser feito pela mídia convencial para que ela chegue próximo do sucesso que o streaming tem hoje em dia – senão veremos a TV como conhecemos definhar pouco a pouco.