Primeiramente, irei explicar aqui qual é o objetivo desta coluna. No auge de minha falta de ocupação (vulga vagabundagem), passava horas e horas buscando com afinco a mais perfeita obra de entretenimento. Durante essa busca, achei jogos, livros, filmes e séries dignos de serem repassados para toda a posterioridade de nossa espécie. Aqui, irei apresentar para vocês algumas destas mídias dotadas de formidável primazia.

papers please o mister play

Hoje, vos apresento este maravilhoso joguete eletrônico intitulado “Papers, Please”. Lançado em oito de agosto de dois mil e treze, o jogo desenvolvido e distribuído pela “3909” foi um sucesso de críticas. Apesar disso, ele é pouquíssimo conhecido pelo público em geral.

A trama se desenvolve a partir de um conceito muito básico. O jogador assume o papel de um inspetor de fronteira recém contratado pelo governo de seu país, Arstotzka. Logo de cara, fica bem claro que se trata de um sistema ditatorial comunista. As fronteiras acabaram de ser reabertas. Você precisa verificar corretamente todas as informações dos transeuntes, sendo multado por cada erro.

Até aí o jogo parece ser bem chato, apenas verificando documentos. Mas o maior brilho da obra estão nos pequenos detalhes. É necessário que você atinja sua meta diária para conseguir um pagamento suficiente para suas dívidas e sustento de sua família. Fora isso, alguns eventos incomuns acontecem em certos dias, que acabam exigindo decisões extremamente difíceis, passando desde separar ou não um casal que está com documentos faltando, até entregar terroristas e outros criminosos.

papers please, o mister playO jogo tem vários finais diferentes, que sempre aumentam a vontade de saber o que mais poderia ter acontecido na história deste inspetor de fronteira. Cada dia de jogo se torna intrigante na espera das consequências de suas atitudes.

A arte é muito bem trabalhada. Um pixelado escuro que dá o tom de seriedade assombrosa que a trama necessita, juntando a tensão das ruas com o nervosismo da cabine de fronteira. As mecânicas de jogo são excelentes, rápidas e funcionais, ajudando muito sua rotina de inspetor. A trilha sonora se encaixa com o clima da história, e sua ausência também.

Existem defeitos também. As fotos de identidade nem sempre são muito parecidas com seus donos. Os momentos que você precisa usar chaves de segurança são rápidos demais, quase impossíveis. O espaço de tempo do dia de jogo é muito curto, o que limita suas chances de ganhar dinheiro suficiente. O dinheiro é o maior problema do jogo, muitas vezes freando as tentativas de explorar finais diferentes.

Por sua trama que envolve um homem comum no cenário político de toda uma região com vários países diferentes e por sua qualidade em jogar essa história ao acaso do dia-a-dia, “Papers, Please” é uma obra que merece ser comprada e jogada. Um clássico dos games independentes que serve de exemplo para o mundo.