Salve galera.

A convite do Mr. Play resolvi contar um pouco sobre minhas aventuras na terra do Tio Sam para acompanhar a última etapa da temporada 2016 da Sprint Cup da Nascar.

2. PRINT - 2015 Chase for the NASCAR Sprint Cup

Para quem não conhece, a Nascar é o similar a nossa Stock Car, com pilotos correndo em carros similares aos que usamos nas ruas: Toyota Camry e Ford Fusion, por exemplo.

A Nascar é dividida em 3 categorias: Truck Series (categoria onde são utilizadas pick-ups ao invés de carros e motores de 700 cavalos), Xfinity Series (a série B da Nascar, com carros de apenas 800 cavalos) e a Sprint Cup (a principal categoria, com 36 corridas e carros de 850 cavalos).

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O que difere a Nascar de outros campeonatos de automobilismo é a forma de disputa, chamada de CHASE FOR THE CUP (algo como perseguição pelo título).  Nas primeiras 26 provas do campeonato continuam com o sistema tradicional de pontuação. E ao final dessa fase, os 16 primeiros colocados do campeonato seguem para o Chase nas 10 últimas provas para decidirem o campeão da temporada. E a cada 3 provas, os pilotos que menos pontuarem são eliminados, ficando apenas 4 para a última prova, chamada de THE CHASE. E nessa última prova, quem chegar na frente dos 4, independentemente da posição final da prova, leva o título.

Este ano, a prova no Homestead Speedway, localizado em Miami. Um circuito oval longo, com aproximadamente 2,4 km por volta.

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Diferente de eventos realizados no Brasil, chegar em Homestead é simples e fácil: o transito é muito bem sinalizado e chegando de carro você não tem problemas para estacionar. Isso porque o estacionamento é gigantesco e gratuito, sem a presença dos nossos queridos flanelinhas.

Outro detalhe que chama a atenção era o grande número de pessoas fazendo churrasco na caçamba de suas pick-up, esperando para entrar no Speedway. Está certo que churrasco de americano é hambúrguer e coxinha de frango feito com muito molho barbecue em churrasqueiras a gás, mas é interessante ver que para eles, o evento começa ali, na confraternização na porta do autódromo.

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A organização é um show à parte: tudo muito bem sinalizado e com várias pessoas ajudando os visitantes. Não existem dificuldades. Para se ter ideia, a retirada dos ingressos é feita na porta do autódromo, direto de uma bilheteria exclusiva para quem comprou o ticket pela internet. A única exigência é mostrar uma identidade com foto (para os americanos, basta a carteira de habilitação e no meu caso, como estrangeiro, foi o passaporte) que o ingresso era liberado na hora.

Um pouco antes de entrar no autódromo, existem várias lojas de produtos oficiais da Nascar e de seus patrocinadores, mas com certeza a que mais se destaca é a FANATICS, que a loja oficial de cada um dos pilotos. É possível comprar camisetas, camisas, jaquetas, bonés, miniaturas dos carros, chaveiros, cachecóis, gorros e vários outros produtos do piloto da sua preferência.

Diferente da Fórmula 1, onde o merchandising é focado somente nas equipes (como Ferrari, Red Bull, McLaren, Williams, etc.), na Nascar os principais artigos têm o nome do piloto, ou da Nascar ou da prova em si.

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Dentro do autódromo, além dos diversos stands dos patrocinadores, com brincadeiras e exibições, vale destacar a quantidade e diversidade de espaços para se comer: desde o tradicional hot-dog ou hambúrguer, passando por nachos, frutos do mar, comida mexicana e a famosa Turkey Leg (uma coxa de peru gigantesca, coberta de molho barbecue). E cerveja. Como os americanos bebem e fumam. E mesmo assim, a parte interna do autódromo era muito limpa: não haviam latas ou pontas de cigarro no chão. Inclusive os banheiros eram muito limpos.

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Outro ponto alto da organização foram todos os eventos que antecederam a corrida. Primeiro, os pits foram liberados para quem comprou os ingressos com acesso à pista. Tanto para entrar quanto para sair, não vi tumultos ou empurra-empurra.

Antes da prova, um palco foi montado na linha de chegada para apresentação de uma banda de country music chamada The Band Perry. Particularmente, achei o som muito bom. Depois, foi feita a apresentação de todos os pilotos que participam da prova. E por fim, a apresentação dos 4 que estavam concorrendo ao título: Kyle Busch; Jimmie Johnson; Carl Edwards e Joey Logano. Depois das apresentações, é feito o juramento a bandeira e cantado o hino nacional americano. Todos de pé, cantando juntos. E mesmo sendo brasileiro, é algo que emociona. Principalmente porque no meio do hino, uma camionete traz uma bandeira americana que cobre toda a pista e alguns caças da Força Aérea fazem alguns rasantes quebrando a barreira do som.

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Um detalhe vale a pena ser destacado: a torcida. A Nascar surgiu logo depois do fim da lei seca, onde os motoristas que faziam o contrabando de bebidas pelo EUA usaram seus conhecimentos para começar a correr por diversão e não mais fugindo da polícia. E sei público hoje é formado principalmente por pessoas da classe média/baixa no EUA, bem diferente de outras categorias, como a Indy e a Fórmula 1. E esse público é extremamente patriota.

No sentido horário, da esquerda superior: Kyle Busch, Carl Edwards, Jimmie Johnson e Joey Logano
No sentido horário, da esquerda superior: Kyle Busch, Carl Edwards, Jimmie Johnson e Joey Logano

Por isso, Jimmie Johnson e Joey Logano tinham a preferência da torcida somente porque corriam com carros americanos: Johnson com um Chevrolet SS e Logano com um Ford Fusion. Já Kyle Busch e Carl Edwards que corriam com Toyota Camry (por sinal, ambos são da mesma equipe) foram muito xingados pela torcida na apresentação. Era fácil ver torcedores falando em alto e bom tom que o motivo da “raiva” contra Busch e Edwards era a marca de seus carros.

Pouco depois da abertura, o palco já estava desmontado e os pilotos estavam na pista. E admito que a bandeira verde é algo que arrepia. Ver 40 pilotos, lado a lado, colados no muro fazendo a primeira curva é fantástico. O som dos motores é ensurdecedor, mas é lindo. E acompanhar aqueles malucos andando a quase 300km/h raspando o muro é emocionante.

Mesmo sendo uma prova longa, com mais de 250 voltas e muitas bandeiras amarelas, vale a pena estar lá para ver. É um espetáculo único.

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E mesmo que a minha torcida tenha sido para o Kyle Busch, admito que foi legal de ver Jimmie Johnson campeão pela 7ª vez de perto.

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