Existem alguns ciclos que são normais na indústria do entretenimento: personagem de HQ vira filme; personagem de filme vira jogo; personagem de jogo vira filme e por aí vai.

Mas hoje eu gostaria de falar de uma HQ baseada em um jogo baseado em alguns personagens da DC Comics: Injustiça – Deuses entre Nós.

É um pouco complicado, mas vou explicar.

Em abril 2013 foi lançado para PS3, Xbox 360 e Wii U o jogo Injustice: God Among Us. Na história deste jogo, o Coringa destrói Metrópolis com uma arma nuclear e engana o Superman, que mata Lois Lane, acreditando que ele está lutando contra Apocalypse.

Em um ataque de fúria, Superman mata o Coringa e decide estabelecer uma nova ordem mundial, para criar a paz através da força e do medo. Mas Batman não concorda com os métodos do Superman e lidera uma rebelião contra o Homem de Aço.

E é neste contexto que a NetherRealm Studios (o mesmo estúdio que criou Mortal Kombat) desenvolveu o jogo: um universo caótico, onde Batman e Superman estão em lados diferentes da batalha.

E para contextualizar o jogo, foi lançada digitalmente em janeiro de 2013 a HQ Injustiça – Deuses entre Nós. Ela conta toda a história do jogo, desde o ataque do Coringa a Metrópolis até a queda do Regime do Superman.

E a HQ é o tema que gostaria de focar neste texto. A narrativa de Tom Taylor no começo da história é empolgante: ele mostra como a morte de Lois e de seu filho (ela estava grávida do Superman) afetaram o Homem de Aço, fazendo ele acreditar que a humanidade não saberá se salvar sozinha. E como Batman é um dos poucos heróis que vê que esta mudança pode levar para um mundo totalitário e sem liberdades.

A história começa a se perder quando é feita a desconstrução de alguns personagens, principalmente os que apoiam o regime do Supeman: a Mulher Maravilha segue o Superman como uma adolescente apaixonada; Hal Jordan simplesmente abandona tudo o que acredita e os ideias da Tropa dos Lanternas Verdes e em algumas  situações se mostra até ingênuo, sendo enganado por Sinestro e aceitando ser membro da Tropa Sinestro, usando um Anel Amarelo; o próprio Superman aceita um Anel Amarelo de Sinestro, mostrando que ele deixou de ser um símbolo de esperança para se tornar um símbolo de medo; e o Robin (Damian Wayne) simplesmente aceita que a violência é a única maneira de resolver tudo, deixando de lado tudo que o Batman acredita.

Talvez o motivo dessas mudanças nos personagens seja o formato em que a história foi publicada no EUA: capítulos digitais. E estes capítulos são extremamente curtos, então a história tem um ritmo muito acelerado.

Outro ponto que deixa a desejar é a melhor utilização de alguns personagens: o Caçador de Marte pouco aparece e morre e Kyle Rayner é morto em apenas meia página.

Os destaques positivos acabam sendo Lex Luthor e John Constantine: Lex porque ele também viu que o Superman está se tornando um tirano e Constantine porque continua sendo o mesmo manipulador sacana de outras histórias.

Outros personagens acabam ganhando destaque durante a história, como a Arlequina, o Comissário Gordon, o Flash e o Capitão Marvel. Mas mesmo assim, eles sempre acabam ficando em paralelo a guerra que está acontecendo entre Batman e Supeman.

No Brasil, ela vem sendo publicada em encadernados pela Panini. Atualmente, ela está na 7ª edição.

E mesmo com uma série grande de defeitos, a HQ de Injustiça ainda continua sendo uma das melhores histórias da DC em muito tempo. E vale a pena a leitura.

OBS: em maio de 2017, foi lançada a sequência de Injustice, chamada Injustice 2 – Every Battle Defines You, para as plataformas PS4 e Xbox One. Como jogo, é um dos melhores de luta da atualidade. E a história segue bem a contatada tanto no primeiro jogo quanto nas HQs. E vale muita a pena jogar.