Salve galera.

Hoje quero contar uma história sobre um personagem de HQ que me acompanhou pelos últimos 25 anos: o Corvo, de James O’Barr. Vamos primeiro, vamos voltar para 1994, ano do Tetra do Brasil na Copa do Mundo nos Estados Unidos. Eu já lia HQs de 1992. Tinha me apaixonado pelas histórias dos X-Men e do Homem-Aranha e finalmente eu tinha tirado da cabeça a imagem que eu tinha do Batman do Adam West para o Batman do Tim Burton.

Foi nessa época também que conheci a primeira loja da Devir, na Aclimação. Lembro que a loja era na sala de um sobrado. Era lá que encontrávamos algumas revistas alternativas de artistas brasileiros e onde encomendávamos muitos números americanos e aconteciam as primeiras mesas de RPG que tenho lembrança no Brasil.

E em 1994, meu amigo Guilherme Sapo me apresentou a um mundo totalmente diferente das HQs que eu lia. Conheci através dele personagens como o Juiz Dredd e o Sombra, entre outros.

Foi ele me deu de presente a minha primeira edição do Sandman, de Neil Gaiman. Nesse momento, eu descobri que as revistas podiam ser mais sérias e sombrias do que as histórias da Marvel e da DC que a Editora Abril trazia para o Brasil.

E neste ano, iria estrear no Brasil a adaptação para o cinema de O Corvo, estrelado por Brandon Lee. Eu não conhecia direito o personagem de James O’Barr, mas sabia que Brandon Lee morreu durante as filmagens. Lógico que na época não tinha certeza do que realmente havia acontecido com o ator e tudo que ouvia eram os boatos que corriam nos corredores do meu colégio.

Vale lembrar que Brandon Lee estava em alta nessa época, com filmes como Rajada de Fogo e Massacre no Bairro Japonês (este estrelado ao lado de Dolph Lundgren) passando direto na Sessão da Tarde.

Então fui com o Sapo assistir O Corvo no cinema. Lembro que sai da sala querendo saber mais sobre a triste história de Eric Draven e sua noiva Shelly Webster. Na mesma semana fui na Devir tentar encontrar algumas HQs, mas lembro que fui avisado que era quase impossível encontrar qualquer coisa no Brasil e no EUA.

O máximo que consegui encontrar foi a trilha sonora, que por sinal também é excelente. Rock de primeira qualidade. Vale a pena ouvir.

Com o passar dos anos, perdi a conta de quantas vezes assisti esse filme, chegando inclusive a comprar uma cópia em VHS para ter em casa. Depois com a chegada do DVD, foi um dos primeiros filmes que comprei.

E graças à internet, consegui ler alguns scans do material de O’Barr.

Até que em agosto deste ano, a Darkside Books publicou uma edição de luxo de O Corvo. Com páginas e mais páginas de extras, este encadernado traz a versão definitiva deste clássico.

Encontrar esta edição nas livrarias foi como ganhar um presente que não se esperava. Admito que não parei até ler todas as páginas, incluindo as de extras e a apresentação feita pelo próprio James O’Barr.

Também tenho que parabenizar a Darkside pelo excelente trabalho gráfico. É um exemplar de 1ª. Poucas edições vi qualidade tão grande quanto a desta edição de O Corvo.

Para qualquer apaixonado por quadrinhos, ter essa obra é obrigatório.